THE ATLANTIC: O mistério da volta de Kesha | Kesha Brasil

Post publicado por Samuel D
25.04

Após um período longe dos olhos do público em meio a um confronto com seu colaborador de longa data, a estrela pop se apresentou em uma pequena casa de shows de Rock em Washington.

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É impossível saber realmente o que uma figura pública esta sentindo, o que explica o porque de ser um passatempo nacional especular sobre isso. E isso vale em dobro para o mundo da música pop, aonde a canção de um músico caminha ao lado de sua “narrativa” – ambas criadas pelo próprio ou não – na maioria das vezes. Kanye West foi recentemente cercado pela história de estar sendo transformado pela paternidade, casamento e um contrato com a Adidas. Lady Gaga, como todo mundo sabe, esta em sua fase “normal” depois de seu estouro nas campanhas publicitárias. Beyoncé, se você acredita no Instagram, está aproveitando a melhor vida na Terra como recompensa pelo seu trabalho duro e perfeição própria.

Kesha, antigamente Ke$ha, de nome real Kesha Rose Sebert, é… bem, é difícil dizer. Depois de reinar como uma celebridade no topo das paradas por alguns anos sobre a força de sua grande potência e hinos dançantes irreverentes – com uma presença visual que contou com glitter, pintura facial e dedo do meio – a sua imagem como super humana guerreira começou a rachar. Alguns singles tiveram desempenhos inferiores em 2013; pessoas do seu time começaram a se queixar sobre o produtor, Dr. Luke, ser muito controlador; ela foi para uma clínica de reabilitação por causa de um transtorno alimentar; tirou o cifrão de seu nome. Depois de passar boa parte de 2014 fora dos olhos do público, ela entrou com uma ação judicial alegando que Dr. Luke a abusou sexualmente e emocionalmente, incluindo uma acusação que ela havia sido dopada e estuprada por ele. Ele rebateu a acusação, dizendo que ela estava apenas tentando sair de seu contrato.

Dr. Luke, de nome real Lukasz Gottwald, não é apenas um produtor. Ele era uma parte essencial da história de Kesha, a pessoa que assinou com ela aos seus 19 anos e que co-produziu ou co-escreveu basicamente a maior parte de seus hits (para não mencionar outros esmagadores de Katy Perry e Kelly Clarkson). Mesmo antes da ação judicial de abuso, ela e sua mãe haviam confirmado publicamente suspeitas de fãs que Luke estaria sufocando a criatividade de Kesha e que ela queria se ramificar em diferentes tipos de música. Agora que a separação é oficial, o que isso significa para Kesha, a performer? E pra onde essa narrativa pop vai depois de uma virada tão feia?

Semana passada, o Black Cat Rock Club, em Washington, anunciou que Kesha iria se apresentar lá na terça-feira à noite, e que os ingressos iriam à venda ao meio-dia por 25 dólares cada. Na sequência de algumas apresentações em campus universitários e shows beneficentes, a aparição seria sua primeira performance pública nos Estados Unidos desde 2013, em um local que não é nada como os estádios nos quais ela tinha tocado antes: escuro e pequeno, com uma capacidade para cerca de 750 pessoas. A apresentação se aproximava. Por que uma estrela pop ultra-famosa planejava seu retorno em um pequeno local que geralmente acolhe cantores de indie e rock? Iria ela abandonar todas as suas canções com Luke e tocar coisas inéditas? Seguir a onda de seu cover divisor de opiniões de Bob Dylan e fazer um acústico? Apostar novamente em sua recente imagem Rock Star e fazer um show metal? Dizer algo sobre as controvérsias? Os ingressos se esgotaram em menos de quatro segundos.

Mas desde a abertura do show, estava claro que aquilo não seria o lançamento de uma nova versão de Kesha (Kesha 2.0). Ela começou o show com a faixa-titulo do album Warrior, que teve uma grande produção de Dr. Luke em 2012. Dançarinos movimentando espadas como samurais, e o público, cheio de glitter, cocares e adereços de unicórnio, inspirados em clipes da cantora, gritava. E continuaram gritando durante o resto o show, que ofereceu praticamente qualquer coisa que um fã poderia querer: confete, adereços, “Tik Tok” e “Timber”.

Membros da banda tocavam guitarra e teclado e, ao cantar Die Young – musica que a cantora disse que foi forçada a cantar – foram usados tambores. Em quase todo o show, Kesha tinha performado como uma performer pop: cantando com uma base pré-gravada, com troca de figurinos e o uso de efeitos visuais. Ela se mostrava feliz por estar lá, balançando as vigas e promovendo um clube de strip gay no local. Tirando seu cover/mashup de “Loyal” do Chris Brown e “Jealous” do Nick Jonas, a setlist foi formada inteiramente por músicas que a cantora já havia lançado; “Lover”, a música livre de Dr. Luke que vazou ano passado, não fez parte.

Após o show, a cantora tweetou “esta noite foi tudo para mim” e “estar em turnê me dá vida”, então talvez a cantora tenha optado por fazer shows em palcos pequenos e com pouco aviso prévio apenas para se divertir, e mais precisamente para evitar que haja uma pressão do publico para o relançamento de sua carreira. Ela logo vai se apresentar em outro campus universitário em Baltimore, e depois vai entreter a parada gay de Los Angeles. Você pode imaginar esses shows – todos com público fanático garantido – como um refresco psicológico para ela ou como um despertar de seus fãs, ou como uma prova de que ela é uma artista completa totalmente independente de Dr. Luke, ou como uma indicação de que ela quer deixar para trás o drama. Ou, como os muitos fãs revestidos de brilho contentes por terem tido uma terça-feira à noite épica, você poderia esquecer a narrativa e ver a performer fazendo o seu trabalho, e fazendo bem.

Fonte: The Atlantic



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