Post publicado por Samuel D
24.09

Na edição de hoje do jornal novaiorquino New York Times, Kesha foi destaque na primeira página da sessão de artes do veículo, com uma review do show que a cantora fez no estado na última quinta. Confira abaixo a matéria traduzida:

Fora Do Tribunal e de Volta aos Palcos

Canções pop atualmente são os frutos de colaborações – cantores, compositores, produtores, engenheiros de som e muitos mais, todos têm um papel a desempenhar. Esse arranjo gera uma ansiedade constante na vida do pop-star: são as canções que têm fãs, ou o cantor? E pode o cantor ganhar reconhecimento sozinho, destacando o ambiente que construiu as bases para o seu sucesso?

Kesha vivenciou essas perguntas em tempo real na quinta-feira à noite, quando ela fez um show no Warsaw, casa de shows localizada no Brooklyn, como parte de sua primeira turnê depois de três anos.

Ela tem passado por um tempo tumultuado: ações judiciais que buscam libertação de seu contrato, ela acusou o produtor Dr. Luke, seu colaborador de longa data e o chefe da gravadora com a qual ela assinou, de atos impróprios, incluindo estupro. Ele rebateu, afirmando difamação e tentativa de quebra de contrato. Como resultado, ela não lançou nenhuma música original desde 2013 e só recentemente começou performar suas músicas antigas ao vivo.

Mas músicas antigas são memórias e, como ficou claro neste show, Kesha estava esperando para performa-las da maneira mais inovadora possível, refazendo completamente os arranjos pop para um rock hostil. Ao longo da noite, ela desconstruiu seus antigos sucessos – “We R Who We R”, “Take It Off”, “Your Love Is My Drug” – e os reconstruiu com ajuda de sua banda (The Creepies) como um country-rock relaxado com leves toques de psicodelia.

Kesha estava vestida como uma amante de rockabilly chique – uma roupa com temática do velho oeste, incluindo uma jaqueta enfeitada com crânios e com franjas coloridas penduradas nas mangas – e o título da turnê, que inclui um palavrão, foi escrito em letras enormes em estilo saloon no fundo do palco.

Ela deu um toque de teatralidade típica de filmes de baixo orçamento durante todo o show, lutando contra um par de companheiros com máscaras de dinossauros durante “Dinosaur” e atacando um deles durante “Cannibal”, se levantando com sangue escorrendo de sua boca. O efeito foi carnavalesco, uma apresentação em débito com a era das novidade estilísticas e capricho excessivo.

Embora fosse difícil e raramente eficaz, o gosto de Kesha para a turnê não era inesperado. Por um tempo no início da década, ela prometia ser um tipo diferente de estrela pop – estilisticamente ágil, com a língua solta, fazendo rap tão bem quanto canta, aparentemente desinteressada no que o mundo pop geralmente promete. Naquela época, nunca foi claro o quão Kesha iria se levar a sério, ou sua música, uma atitude que se deu bem contra a solidibilidade de seus registros. Ambos os seus álbuns – “animal” (2010), “e” Warrior”(2012) foram excelentes.

Mas essas canções, ainda enquanto foram a moeda que ganhou a entrada dela na estratosfera pop, viraram albatrozes. As suas performances eram como rejeições. Quando Kesha entregou o hit que lhe deu popularidade (“Tik Tok”) no fim do seu show usando essencialmente seu arranjo original, foi como um raio de sol através das nuvens. 

Isso também foi um lembrete irritante do que fazia as suas canções tão presentes nos primeiros lugares das paradas – a ação recíproca do abandono salaz de Kesha e o extático comando de produção por Dr. Luke e outros. 

Nos meses recentes, as batalhas de Kesha a fizeram uma causa célebre; incontáveis outros performers ofereceram o seu apoio público, e Taylor Swift disse que a daria $250,000 (“para ajudar com as necessidades financeiras durante esse período de necessidade”, um representante de Srta. Swift disse em uma declaração). 

Depois de “Dinosaur”, Kesha se dirigiu à ansiosa multidão de cerca de 1.000 pessoas: “Faz muito, muito tempo”, disse ela, encontrando um rugido de elogios nutritivos. “Eu honestamente não sei se eu teria conseguido passar pelos últimos três anos sem vocês”. O público respondeu com gritos encorajantes. Quando eles gritaram “Liberte a Kesha” continuamente, ela foi para um lado do palco e pegou um celular emprestado para que pudesse filmar o momento. 

Mesmo que a maioria de suas afirmações contra Dr. Luke tenham sido rejeitadas por uma juíza, a sua situação legal continua complicada. Ela não tocou nenhuma música nova lá. Em adição de meia dúzia de hits próprios, ela encheu o seu show com covers, uma estratégia necessária mas também problemática. Cantar a música de outra pessoa te mostra descoberto e revela o que você pode adicionar à uma conversa que está acabada há tempos.

Havia um barulhento cover de “Nightclubbing” de Iggy Pop e uma deslocada chance em “Till The World Ends” de Britney Spears (uma canção que conta com a composição de Kesha). Durante o seu bis “não bem-vindo”, ela roeu o refrão de “Jolene” de Dolly Parton for alguns momentos de melancolia, então cantou “Old Flames Can’t Hold a Candle to You”, uma canção country escrita por sua mãe, fechando a redenção morna por afirmar: “Eu estou cansada de ouvir pessoas dizendo que eu não consigo cantar!” 

Ela foi melhor quando usou canções para fazer declarações: “You Don’t Own Me” (Você Não Me Possui) de Lesley Gore, ou “I Shall Be Released” (Eu Terei de Ser Libertado) de Bob Dylan, que encerrou o show. “Sempre tenham esperança em seu coração”, disse Kesha à multidão antes de começar a canção usando isso como um diário e luta.

*Em sua versão online, a crítica teve seu título editado para “Kesha, esquivando-se do passado, mas ainda contando com ele”.

Tradução: Natália H. e Samuel D.
Fonte: NYT; Leitor.



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