Post publicado por Samuel D
13.07

Kesha divulgou hoje (13.07), junto com o lançamento do single Woman, uma carta aberta à revista Rolling Stone. Leia a tradução logo abaixo:

Musicalmente, eu realmente não poderia estar mais orgulhosa dessa música. Esse álbum soa mais como as músicas que escuto do que qualquer outra coisa que já tenha feito. Eu adoro as músicas que fiz antigamente, mas foi engraçado para mim porque eu ia tocar em grandes festivais de EDM e, ao terminar o show, ia no meu bus tour e colocava Iggy Pop, Rolling Stones, Beach Boys, T Rex, Dolly Parton, James Brown, Beatles, The Sweet; qualquer desses artistas. Eles não podiam ser mais diferentes do que eu estava fazendo, mesmo que o mesmo espírito selvagem meu estivesse lá.
Percebi que, durante a maior parte da vida, fiquei intimidada por tentar e correr atrás das pessoas que eu admiro. Com “Woman”, espero que meus fãs ouçam esse espírito selvagem que ainda é forte dentro de mim, mas que, desta vez, se mostra de uma forma mais crua, espontânea e com todos os instrumentos ao vivo, uma grande razão pela qual adoro as músicas que eu amo. [Durante a composição] Havia uma, duas ou 12 pessoas diferentes tocando os instrumentos juntos, e toda essa energia humana é emocionante e muito divertida de escutar. Eu queria que essa música capturasse esse som orgânico, bruto e com alma, mantendo os momentos imperfeitos das gravações, porque eu encontro a magia nas imperfeições.
Um grande ponto de mudança para mim foi a minha recente turnê com os The Creepies. Nessa turnê, acabamos com os grandes truques do pop: sem dançarinos, sem telões, sem vocalistas de apoio, sem base de apoio – era apenas eu e minha banda. Embora não tivesse músicas novas durante a turnê, eu estava cansada de esperar, e tinha muita energia e queria me reconectar com meus fãs. Era uma situação de ‘nadar ou afundar’ com somente eu cantando, sem nada mais para ajudar ou distrair caso um erro ocorresse. Eu coloquei essa pressão em mim mesmo de uma forma boa. Eu tive que me levantar e assumir o controle da minha voz e, no processo, ganhei uma confiança na minha habilidade vocal que eu nunca tive antes. Quando eu voltei [ao estúdio] para terminar a produção de Rainbow, eu tinha uma confiança completamente nova da minha voz.
Um dia em particular eu estava convicta e, enquanto eu estava presa no trânsito no caminho para o estúdio, do nada, senti o desejo de gritar: “Eu sou uma mulher filha de p*ta”. Quando cheguei ao estúdio, eu estava cantando “Eu sou uma mulher filha de p*ta”. Os dois caras que estavam compondo comigo naquele dia não sabiam o que fazer comigo. Eu afirmei novamente: “Eu sou uma mulher filha de p*ta”! Então Drew Pearson começou a tocar no piano e Wrabel começou a rir.
Nesse dia eu me sentia no direito de me chamar de filha da p*ta. Sempre fui feminista, mas, durante a maior parte da vida, me sentia uma menina tentando descobrir as coisas. Nos últimos anos, me senti como uma mulher mais do que nunca. Eu sinto a força, a grandeza e o poder de ser mulher. Nós seguramos a chave para a humanidade. Nós quem decidimos se povoamos a Terra e, caso sim, com quem. Podemos simplesmente decidir não ter mais filhos e a raça humana seria extinta. Isso é poder. Eu realmente gosto de ser uma mulher e queria um hino para que qualquer outra pessoa que queira gritar sobre ser autosuficiente e forte. (Sim, homens, essa música pode ser para vocês também).
Foi uma experiência tão bonita escrever uma canção tão forte de empoderamento feminino com dois homens, Drew Pearson e Stephen Wrabel, porque reforça a forma como homens podem apoiar as mulheres e o feminismo. Esse dia foi uma das melhores sessões de composição da minha vida. Foi pura alegria. Nunca tive um dia de trabalho tão maravilhoso e divertido como naquele dia. É um daqueles dias em que eu vou lembrar para sempre, porque me trouxe de volta para o porquê de eu começar a fazer música.
Estávamos delirando e rindo durante todo o resto da sessão de gravação. Em um ponto, Nós deveríamos estar gravando vocais e Wrabel e eu simplesmente perdemos o controle e rimos durante um verso inteiro – chamamos isso ‘a trilha do riso’ – e quando estávamos finalizando a música juntos, nomeamos isso de “faixa do riso”, que consistia em nós apenas gritando e rindo de nós mesmos ao longo da música. É o meu favorito porque realmente capta a alegria deste dia, da equipe de colaboradores e da canção. Eu realmente tenho que agradecer a Stephen Wrabel e Drew Pearson por me ajudarem através dos últimos anos a escrever canções e fazer uma coisa bonita novamente. Esses homens fizeram minha arte/trabalho seguras e divertidas, e as sessões com os dois eram tão revigorantes.
Assim que tínhamos a demo original, eu tive um dos meus muitos momentos ‘sonho se tornando realidade’ na produção deste álbum, quando os Dap-Kings me convidaram para o Daptone estúdio no Brooklyn para acertar os últimos retoques na faixa com eles. Eu sabia que tínhamos uma boa música, mas desde o dia em que escrevi eu queria aquele molho especial do Dap-King para levá-la ao próximo nível. Foi uma experiência e tanta entrar no mundo deles e ver as pilhas de fitas de Sharon Jones e da Reigning Sound Records que eu tanto amo penduradas nas paredes.
A vibe é tão real entre as paredes do estúdio que sua alma parece cobrir toda a sala e  se unir a música. Parecia que estávamos gravando em outra era – como a forma que eu imaginei meus heróis gravando nos anos 60 e 70. Tive a honra de trabalhar com Saundra Williams, que passou anos cantando com o lendário Sharon Jones, além de ser uma artista incrível por si mesma, soou tão incrível quanto nos vocais de fundo, bem como as trompas do Dap-Kings elevaram a música a um outro nível.
Para o vídeo, meu irmão Lagan Sebert e eu pensamos na cena juntos em uma semana e filmamos enquanto eu estava em turnê em Delaware. Nós achamos um bar apropriado chamado Oddity Bar e chamamos meus Creepies pra saírem das tocas (e minha equipe de turnê saírem de suas cavernas), e filmamos juntos de última hora. Saundra Williams foi para Delaware para fazer parte da festa. Foi um daqueles projetos em que eu sabia exatamente o que eu queria e foi mais fácil nós mesmos fazermos ao invés de tentar explicar a minha ideia para algum diretor. Algumas vezes quando as coisas são orgânicas e viscerais eles se dão bem juntas, essa música e vídeo são a prova viva disso. Eu dançava e gritava por um momento e depois ia checar o ângulo da câmera. Eu amei.
Para mim, a coisa que eu mais estou orgulhosa é que a música e o vídeo nunca perderam a pura alegria do dia em que nasceram. Eu realmente espero que as pessoas gostem dessa música porque eu me diverti bastante a criando. Eu espero que a energia atravesse as pessoas e a diversão seja contagiosa. É importante para mim que as pessoas saibam que existem várias emoções no meu álbum novo, Rainbow – mas a energia alegre e selvagem que me inspirou primeiro à performar não foi, e nunca irá embora. Eu ainda sou uma filha da p*ta.

 FONTE: Rolling Stone


Twitter



Facebook